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Novo record (2011 CQ1) 11/02/2011

Posted by João Lopes in Asteróides.
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O 2011 CQ1, objecto com cerca de 3 m, tem o novo record do asteróide que mais perto passou da Terra (cerca de 11 855 km). A gravidade da Terra provocou uma alteração na órbita do asteróide, a maior registada pelos astrónomos.

Veja o seguinte vídeo:

Aceda à informação do asteróide aqui

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Comentários»

1. Rogério Pinheiro - 14/02/2011

Por favor, tive uma dúvida e não achei um comentário na net. Será possivel me responder ?
Gostaria de saber qual seria o estrago se um tijolão desses de 3metros caisse aqui na Terra, chegaria inteiro ou espatifaria com o atrito ?
Oferece perigo ? ou é inofensivo ?

João Lopes - 15/02/2011

Olá, Rogério!

A questão que coloca é bastante pertinente, mas este assunto (o Impactismo) é um mundo de muita informação, pelo que vou tentar ser o mais claro e sucinto possível.

Relativamente à sua questão: sim e não. O factor principal que determina se um corpo consegue atravessar a atmosfera e embater na terra (ou mar) não é tanto a sua dimensão, mas sim a sua constituição (sobretudo no caso dos meteoróides). Podem ser metálicos (ferro e níquel), metálico-rochosos (materiais metálicos e outros minerais) e rochosos (minerais silicatados). Os corpos que mais facilmente conseguem passar a atmosfera são os metálicos (a Cratera de Barringer é um exemplo. Foi feita por um corpo metálico com cerca de 45 m). Já corpos gelados ou rochosos que até possam ser de maiores dimensões, desintegrar-se-ão na atmosfera.

No caso deste artigo, o asteróide 2011 CQ1 não chegaria a embater com a Terra, dada sua dimensão e constituição (rochoso).

Na verdade, mais que a dimensão e massa do objecto, a energia é o facto mais importante nos estragos que o corpo poderá causar. Está, no entanto relacionada com as duas anteriores, visto que é obtida pela metade da massa do corpo, multiplicada pelo quadrado da sua velocidade (E=1/2mv^2). Claro que há ainda outros factores, como densidade, ângulo de impacto e até o local de embate. Porquê a densidade? Comparemos asteróides com cometas, neste caso. As velocidades que os asteróides apresentam são muito inferiores que as dos cometas (podem chegar aos 70 km/s). Contudo, os cometas são corpos pouco densos (cerca de 1000 kg/m^3). Já os asteróides, apesar de terem velocidades entre 10 e 20 km/s, ganham em densidade. Para que se veja, os metálicos têm cerca de 8000 kg/m^3.

Outro aspecto que se deve ter em conta é que a frequência de impactos é tanto maior quanto menor o tamanho do corpo. Um exemplo claro é o facto de a Terra ser diariamente atingida por poeiras, que criam o que tão habitualmente chamamos de “estrelas cadentes”. Já um corpo com 1 km é matéria para ter pesadelos, uma vez que a energia libertada por este corpo rondaria as 50 000 megatoneladas de TNT (as “unidades de medidas” que se inventam…! Megatoneladas de TNT…). De acordo com um relatório entregue à NASA, um corpo é considerado ameaçador para a espécie humana se libertar uma energia igual ou superior a 50 000 megatoneladas de TNT. Foi estimado que em média um corpo com 1 km liberte essa energia. Daí ter feito referência a essa dimensão e energia. Corpos desta dimensão, considerados como sendo capazes de causar destruição à escala global, impactam em intervalos de tempo entre 500 000 e 1 000 000 de anos. Corpos maiores impactam em escalas de tempo ainda maiores.

Portanto, do que temos conhecimento (é preciso ver que há asteróides (NEOs) que não conseguimos ver, devido ao Sol), não há perigo de acontecer uma catástrofe dessas tão depressa. Agora, tudo indica que um dia voltará a acontecer. Resta-nos tentar saber com antecedência quando e esperar que nessa altura tenhamos a tecnologia necessária para lidar com a ameaça.

Cumprimentos,

João Lopes

2. Filipe Silva - 15/02/2011

Boa explicação! Uma pequena correcção:
“Contudo, os cometas são corpos pouco densos (cerca de 1000 kg/m^3)” e não “Contudo, os cometas são corpos pouco densos (cerca de 1000 km/m^3)”.
Continua Lopes!
Abraço!

3. João Lopes - 15/02/2011

Engenheiro, obrigado por teres detectado a gralha! 😉

Foi de de estar junto à velocidade dos corpos (km/s), porque o valor da densidade dos corpos metálicos à frente está em kg/m^3 (8000 kg/m^3)! 🙂

Abraço!

4. Lai - 15/03/2011

Me responde uma pergunta q ñ consegui encontrar em site nenhum…
Quais as consequências que uma proeminência solar pode trazer se atingir a terra?

5. João Lopes - 27/03/2011

Viva, Lai!

É preciso ter em conta que a distância média entre o Sol e a Terra (chamada de Unidade Astronómica), é cerca de 149 600 000 km (quase 150 milhões de km).

Até à data, a maior proeminência solar (registada pela SOHO) aconteceu no ano passado e tinha cerca de 700 000 km. A Terra é sim, atingida pelo vento solar, mas o campo magnético da Terra protege-nos.

Contudo, não é preciso que tal aconteça para que o clima na Terra mude. Um dos factores que poderá afectá-lo é a Variação Solar (ciclo solar, mudança na radiação na radiação solar), embora outros factores influenciem mais as variações climáticas.

Cumprimentos,

João Lopes


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